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Yo, whateva

  posted by Daniel @ 7:25 AM


Sunday, May 11, 2003  

 

Como todos sabemos, as revoluções liberais do ínicio do século XIX levaram à instauração de regimes liberais em muitos países da Europa e até para além desse continente. No entanto, estes regimes caracterizavam-se por um liberalismo bastante moderado, o que leva a que, durante o século XIX, este seja aperfeiçoado; de facto, atendendo à pressão exercida pebaixa burgesia (na qual se tornava cada vez mais popular o republicanismo e o radicalismo), bem como o perigo das agitações proletárias e socialistas, os governos no poder não tinham outra opção a não ser conceder mais direitos e mais liberdades à população em geral. De realçar são: a criação de monarquias constitucionais (nas quais o rei tem um poder principalmente simbólico; um bom exemplo deste regime seria a Grã-Bretanha, que ainda hoje vive sob este regime); a criação de repúblicas (regime com governos temporários e democraticamente eleitos; o grande representante dessa forma de governar no século XIX era a França); o parlamentarismo e o sufrágio universal (não totalmente universal, note-se de passagem: as mulheres não podiam votar); o desenvolvimento da instrução e da informação (liberdade de imprensa, escolaridade obrigatória, etc.) e a alastração (por vezes até violenta) do laicismo, havendo um grande interesse na separação da igreja e do estado.

Também Portugal ansiava por mudança: o regime monárquico, que começou a entrar numa longa crise em 1880 que eventualmente iria conduzir ao seu derrube em 1910, mostrava-se cada vez mais ineficaz de lidar com os problemas do seu país. Para começar, Portugal encontrava-se numa grave crise económica (crise essa que resultaria finalmente na entrada em bancarrota); depois, havia o descontentamento social (principalmente das classes médias, afastadas de quaisquers decisões políticas) e o descrédito político de um governo permanentemente envolvido em escandalos perante uma população mal-instruída e apática. Enfim, o clima era desolador, e povo estava apenas à espera de um pretexto para cair em revolta; este pretexto concretizou-se na forma do Ultimato Britânico (que levou Portugal a desistir de algumas das suas colónias.) Estava, assim, completa a revolta: em 1891 dá-se a primeira tentativa de revolução; em 1908 concretiza-se o regicídio; e a cinco de Outobro de 1910, declara-se a primeira república em Portugal.

Este foi um período de grande mudança em Portugal: para além das qualidades inerentes a qualquer sociedade verdadeiramente democrática (igualdade social, sufrágio universal, etc.), o governo da primeira república empenhou-se também em concretizar medidas ao nível de vários campos liberais, tais como o laicismo (liberdade e igualdade de cultos; abolição de juramentos religiosos no registo civil; proibição de ordens monásticas; supressão de feriados católicos e ensino laíco) o parlamentarismo (constroi-se em Portugal um complexo sistema político, o qual sofria devido à falta de organização dos partidos políticos e por isso levou à muita instabilidade política e ao eventual derrube da república) e a legislação social (no trabalho, dá-se o direito à greve, a regularização das horas de trabalho e a criação de seguros; de resto, promovia-se a instrução e a melhoria das condições de vida.)

Atendendo à estes factores, vê-se facilmente que a primeira república agiu principalmente no interesse do operariado e da pequena burgesia, aumentando os direitos e melhorando as condições de vida das classes baixas.

No entanto, nem toda a Europa cedeu totalmente aos valores liberais. Poderosos estados autoritários, regidos por soberanos autocratas e totalitários, subsistiam- era o caso dos impérios da Alemanha, da Rússia e da Austro-Húngria. Apesar de alguns compromissos por parte dos impérios Alemão e Austro-Húngaro (a criação de constituições, o sufrágio universal), estes países continuavam a operar sob um sistema que suprimia a liberdade política e os direitos individuais. O aparente sucesso desses sistemas devia-se principalmente às forcas conservadoras- a igreja e a nobreza, receosas de perderem os seus poderes num estado mais liberal, e a burocracia.

Para conservarem a sua existência de forma sólida, esses impérios recorriam também à opressão de identidades nacionais: a germanização e a russificação alastravam-se pelos respectivos territórios conquistados, impondo o Alemão e o Russo como linguas oficiais e (no caso da Rússia) suprimindo até a liberdade de religião.

Todos esses comportamentos autoritários e repressivos levavam a um clima cada vez mais tenso e conflictouso na Europa; foi este conjunto de antipatias entre povos e países que acabou por levar à 1ª Guerra Mundial. Após esse conflicto, os dias dos grandes impérios tinham chegado ao fim: na Rússia, deu-se a revolução comunista, enquanto que a Alemanha e a Áustria tornaram-se repúblicas democráticas.

Quando analizamos as correntes políticas do fim do século XIX/início do século XX, um dos nomes que mais importancia tem é o de Karl Marx. Analista político, este desenvolveu o conceito de materialismo histórico, segundo o qual toda a história da humanidade fez-se à custa da exploração do proletáriado, sendo por isso necessário encontrar um novo meio de produção no qual não houvesse exploração do homem pelo homem- o comunismo.

Esta filosofia começa a ganhar mais e mais adeptos, criando assim novas correntes políticas, denominadas socialistas. Dá-se um grande ênfase à luta de classes, ou seja, à luta entre os proletários oprimidos e os seus exploradores capitalistas, e aspira-se a uma ditadura do proletariado, regime no qual todo o capital é propriedade do “povo”, ou seja, de um estado controlado pelo proletáriado. No entanto, para que se possa garantir o sucesso deste regime, será necessário que a revolução socialista ocorra a nivel internacional- daí a fundação das Internacionais Operárias, associações que defendiam os direitos do proletariado ao mesmo tempo que planeavam a construção de regimes socialistas. No entanto, essas organizações desde sempre sofriam sob grandes conflictos interiores- principalmente devido às facções anarquistas.

A corrente anarquista foi outra das ideologias que gozou de grande popularidade nesta época- os seus defensores consideravam-se contra todo o tipo de autoridade (estado, propriedade privada, religião, etc.) e muitas das suas facções não receavam a acção directa, não só organisando greves mas também sendo responsáveis por atentados contra figuras do estado.

Para além do socialismo e do anarquismo, muitos preferiam ainda a ideologia social-democrata, que visava uma lenta e serena transformação do capitalismo em socialismo, sem recorrer a medidas violentas ou revoluções, e sempre no quadro de uma sociedade livre e democrática. Este sistema teve bastante sucesso na Alemanha, onde partidos social-democratas tiveram um papel vital na obtenção de mais direitos pelo operariado; também esta corrente não era do agrado dos Marxistas, por virtude de ser demasiado moderada.

Enquanto isso, a Rússia subsistia num regime totalmente autoritário, sem o mínimo interesse pelas novas ideologias liberais. O estado do país era nessa altura lástimavel, e a população revoltada: os agricultores, que se encontravam num estado quase idêntico ao dos velhos servos da idade média, queriam a posse da terra que trabalhavam; os operários exigiam melhores condições de vida e de trabalho; e mesmo a burgesia e até a nobreza liberal desejavam uma pátria mais politicamente aberta e modernizada.

Pouco espantou, então, a revolução de Fevreiro de 1917, a qual acabou definitivamente com o czarismo e instalou rapidamente um governo provisório. No entanto, este governo teve graves dificuldades em defender as suas medidas, em grande parte devido à pressão exercida pelo influencial partido bolchevique. Com a re-entrada do carismático Lenine no país, foi inevitável que algo mudasse, e assim concretizou-se a revolução de Outobro, depondo o governo provisório e substituindo-o por um governo socialista, encabeceado por Lenine, Estaline e Trotzky. Foi o ínicio da ditadura do proletáriado na Rússia, que em breve se iria transformar em União Soviética.

Teóricamente, o novo regime de Lenine teria dado o poder ao povo, visto que os supostos detentores do poder governamental- os sovietes- eram elegidos por sufrágio universal. No entanto, estes indivíduos estavam completamente sob o controle do Partido Comunista, que oprimia quaisquers divergências de opinião com o estado; muitos dos sovietes eram até membros desse mesmo partido.

De facto, o regime de Lenine rapidamente se tornou num regime autoritário e violento- na sua preocupação em defender a doutrina Marxista-Lenininsta a todo o custo, o governo optou por seguir as medidas do assim chamado comunismo de guerra, as quais suprimiam totalmente a liberdade de imprensa, a liberdade de opinião, a liberdade de expressão, etc. Ao mesmo tempo, fundou-se a polícia secreta, que iria semear o terror e a desconfiança por toda a população. O novo regime mostrava-se totalitário e repressivo.

Mas embora que o comunismo de guerra fosse bastante eficiente em oprimir qualquer oposição política, havia outros problemas, de cariz económico. De acordo com os ideas Marxistas, tinha-se instalado a colectivização total dos campos e das empresas, de modo a que todos os capitais pertencessem ao estado, e assim (em teoria) ao povo; no entanto, a Rússia encontrava-se numa crise económica tão grave (causada pela destruição provocada pela 1ª guerra mundial, bem como pela fraca industralização do país) que foi necessário passar para um plano um bocado mais moderado. A NEP- Nova Politica Económica- visou a privatização de algumas empresas e o adiamento da colectivização, de modo a fazer a União Soviética ultrapassar a sua crise económica, visto que o socialismo não poderia florescer sobre escombros.

Lenine preocupava-se também com o alastramento da sua doutrina, uma vez que (como Marx tinha já determinado) a revolução teria que ocorrer à nível internacional para obter os resultados desjados; daí a fundação do Komitern, a terceira Internacional.

Com a morte de Lenine, subio ao poder Estaline, inciando uma nova era na União Soviética. Em primeiro plano, Estaline preocupava-se com a reorganização económica do seu país: regressou-se à colectivização, deu-se um grande aumento na produção (provocado em grande parte pelo duro e deshumano trabalho ao qual grande parte da população se teve de submeter) e assistiu-se pela primeira vez a uma verdadeira revolução indústrial na Rússia.

Ao mesmo tempo, a forma de governar tiránica de Estaline apagou quaisquers rastos dos ideas liberais que ainda pudessem ter subsistido durante o governo de Lenine. Vivia-se agora um clima de totalitarismo repressivo absoluto; vários ex-membros do governo foram executados, outros (como Trotzky) assasinados pelos serviços secretos. Ao mesmo tempo, assistia-se ao nascer de um “culto ao líder”; Estaline punha-se num estatuto megalománo de Deus, obrigando a população da União Soviética a venerá-lo como tal. Foi talvez a era mais violenta e escura da história da União Soviética.

Noutros países da Europa surgiram como sabemos modelos diferentes de governo, nomeadamente o fascista; mas para entender o sucesso dos mesmos, é necessário antes de mais nada considerar o estado da Europa nesse tempo. Ora bem, a Europa no ínicio dos anos ‘20 encontrava-se numa grave crise a quase todos os níveis. A derrota de certas potências Europeias na 1ª guerra mundial levou à ruína e a dividas, as quais por sua vez resultaram numa inflação monetária tão exagerada que grande parte das populações de países como a Alemanha, a Áustria e a Húngria vivia agora na miséria.

A situação era grave, de modo a que foi necessário adoptar uma nova estratégia económica, decidida na Conferência de Génova- optaria-se pelo capitalismo liberal, orientado para uma produção em massa para o consumo em massa. Esta técnica mostrava no ínicio ser bastante eficaz: no entanto, a crise consistente na agricultura, o desemprego provocado pela mecanização do trabalho, e o proteccionismo económico dos E.U.A. contribuiam para que esta suposta nova prosperidade chegasse rapidamente ao fim.

Em 1929, deu-se a catástrofe por meio do crash da bolsa Americana. Este provocou a falência de inúmeras empresas, o que provocou pela sua parte a falência dos bancos, dependentes financeiramente dessas mesmas empresas. O desemprego e a miséria alastraram-se pelos Estados Unidos, mas esta crise atingiu também gravemente as economias de todos os estados dependentes dos E.U.A.- diminuíam as trocas internacionais, acabavam-se os capitais Americanos. O mundo entrava em crise.

Um quadro económico assim tão negativo não podia deixar de levar consigo consequências políticas: o povo apercebia-se cada vez mais que os governos dos seus países não tinham as ideas nem os meios para travar esta crise. E enquanto a reputação da democracia liberal começava a ser manchada, aumentava o medo do comunismo- depois da revolução bolchevique na Rússia, houve várias tentativas por parte das classes baixas de a imitar, mais importantemente na Alemanha; óbviamente, a possibilidade da criação de um regime comunista não agradava à burgesia, seja ela alta ou baixa, visto que tomava em conta a perda dos seus capitais. Foi portanto a combinação de miséria financeira e medo de uma revolução socialista que levou à ascenção de regimes fascistas em vários estados Europeus.

E de facto, as correntes extremistas da direita ganhavam cada vez mais poder. Foi Mussolini que instaurou o primeiro regime fascista na Europa, quando obrigou o próprio rei da Itália a conceder-lhe o título de regente do país; simultaneamente, subiam ao poder na Alemanha o partido Nazi liderado por Adolf Hitler. Mas não foi só nessas grandes potências que o fascismo se alastrou- estados autoritários, geralmente com ideologias de direita, apareciam também em Portugal, bem como em vários países da Europa Central.

Para os povos que viviam sob esses regimes, o fascismo foi visto incialmente como uma salvação da crise e da miséria em que se encontravam; apenas mais tarde as consequências da opressão do fascismo e do terror da ideologia Nazi seriam compreendidas completamente. Por enquanto, os discursos de homens carismáticos como Hitler e Mussolini encorajavam o povo a pensar que se estaria a aproximar de uma nova era de glória, saindo da crise económica e protegido do comunismo.

Há que notar também que muitos dos países onde o fascismo gozou de popularidade eram nações que anteriormente tinham pertencido aos velhos impérios, e que portanto não estavam acostumados ao sistema da democracia liberal. O fascismo era portanto uma espécie de regresso a tempos mais simples, sem a turbulência política que a democracia implica.

E para além disto, os governos faziam tudo para impedir que houvesse vozes de protesto no povo. Na Itália, Mussolini cultivava a idea do “estado” como uma espécie de ser superior, um bem comum a que todos os individous se deveriam sacrificar; ao mesmo tempo, a sua figura de líder incentivava um culto fanático, semelhante aquele que Estaline estava a tentar conquistar na Rússia. Na Alemanha, o partido Nazi defendia uma ideologia que considerava que a raça Ariana (da qual os Alemães faziam parte) era geneticamente superior, o que óbviamente aumentava a moral do povo; para além do culto ao líder, também aqui presente, apostava-se principalmente num nacionalismo extremista, na idea da Alemanha como nação destinada a regir o mundo. Em ambos os casos, fez-se excelente uso das mais variadas técnicas de propaganda;também em ambos os casos, qualquer oposição e/ou cepticismo era oprimido da forma mais violenta e autoritária possivel.

Nos regimes fascistas, o governo controlava tudo. Oposição política não existia, ou se existia, existia à margem da lei e sem grandes possibilidades de realmente influenciar as decisões políticas do país. Enquanto que na União Soviética, o estado controlava a indústria alegadamente em favor do operariado, nos estados fascistas a intervenção do estado na economia serviam principalmente para oprimir quaisquers movimentos operários, proibindo a greve e instalando “sindicatos” controlados inteiramente pelo estado. A liberdade intelectual já não existia: analistas, críticos, escritores e artistas eram presos e censurados se as suas opiniões não condizessem com a ideologia do eatado. Até mesmo a vida social das pessoas era controlada pelo estado, que organizava todo o tipo de organizações de tempos livres para aumentar o entusiasmo do povo pelo regime.

No caso da Alemanha Nazi, este tipo de atitude assumio contornos ainda mais graves quando a idea da superioridade étnica da raça Ariana começou a servir como justificação para a discriminação das minorias étnicas. A perseguição dos Judeus em particular assumio dimensões cada vez mais trágicas, sendo os membros desta raça submetidos a tudo desde a “confiscaçõ” de todos os seus bens à estadia em campos de concentração, onde eram submetidos a torturas e trabalhos insuportáveis.

Quanto à ditadura em Portugal, as circunstâncias da sua criação foram outras. É certo que a crise económica mundial também afectava o nosso país, mas o que mais pertubava o povo era a incompetência do seu governo. Um sistema governamental confuso e complexo levava à quase impossibilitação da tomada de decisões politicas, ao mesmo tempo que se sucediam num ritmo alucinante os governos. Toda esta instabilidade politica fazia com que os habitantes de Portugal ansiassem por um regime que saberia defender a sua autoridade e governar o país de forma coerente. Tudo isto levou ao golpe militar de 28 de Maio de 1926, data que a grande maioria da população (incluíndo muitos liberais e republicanos!) na altura viu como o começo de uma nova era dourada.

No entanto, esta ditadura militar teve de lidar com vários problemas: a instabilidade dos executivos, o agravamento da crise económica, o abaixamento da moral do povo. Em 1928, sobe ao poder o presidente da república Óscar Carmona, com o professor Oliveira Salazar na pasta das finanças. Este é em grande parte responsável pela recuperação económica do país, sendo portanto natural que fosse nomeado chefe do governo em 1932. Simultaneamente, a partir de 1930 começa-se a trabalhar na idea do “Estado Novo”, o qual irá definir a ditadura em Portugal durante as próximas décadas.

Este novo regime, encabeceado por Salazar, assume desde o ínicio traços da extrema direita fascista. Note-se o desdém pela democracia; o conservadorismo (refutação total de quaisquers doutrinas progressitivistas, desde a democracia liberal ao Marxismo; insistência nos valores tradicionais e na grande história de Portugal); nacionalista (ódio pelos “estrangeirados”; em vez da superioridade étnica defendida por Hitler, Salazar apenas fomentava uma vaga xenófobia e um sentido de patrotismo quase fanático); colonialista (o Estado Novo insistia na posse das colónias, o que acabou por levar a varias guerras) e o corporativismo à moda da Itália de Mussolini.

De facto, Mussolini foi de muita forma a maior fonte de inspiração das políticas do Estado Novo: do seu modelo de governo vieram as predilecções Salazristas pela idea do Estado (“tudo pelo estado, nada contra o estado”), os métodos de opressão da liberdade da expressão e a entrada do estado em todos os aspectos da vida pública e social.

Mas mesmo enquanto o fascismo tomava posse de Portugal, da Alemanha, da Itália e da Europa Central, subsistiam regimes democráticos que se encontravam nesse tempo a lutar com todos os meios possíveis contra a crise económica que estava a ameaçar a sua estabilidade. A maioria dos países adoptou uma doutrina de intervencionismo económico, de acordo com as ideas do economista Britânico John Keynes. Esta ditava que o estado deveria saber regular o comércio.

Um dos exemplos em que esta doutrina melhor funcionou eram os Estados Unidos, onde foi adoptado a política do “New Deal”. Na primeira fase, este baseou-se em: medidas financeiras rigorosas (encerramento temporário de instituições bancárias para o propósito de inspecções federais, sanções contra especuladores, requisição de ouro, etc.), política de grandes trabalhos (combate do desemprego por meio das obras públicas) e a protecção da agricultura (empréstimos para os agricultores, indemnizações para o descréscimo de território) e da indústria (fixação dos precos mínimos e máximos.) Na sua segunda fase, o New Deal tomou contornos mais sociais: introduzio-se a reforma por velhice, o fundo de desemprego, o salário mínimo, etc. Estava assim estabelecida a noção de “welfare state”, um estado que cuida dos seus.

Este welfare state também teve o seu sucesso na Inglaterra, onde numerosas medidas foram tomadas para ajudar as classes operárias, mais destacadamente o “Holiday With Pay Act”, que ditava que os operários eram pagos nas férias. Através da maior cobrança de impostos nas classes altas e médias, foi possível ao governo Britânico estabelecer um maior equilibrio da riqueza. Enquanto isso, na França, assistia-se ao grande triunfo do movimento grevista que foi a Frente Popular. Após uma desesperada luta, o governo teve que intervir, incentivando discussões que iriam levar aos acordos de Matignon, os quais por sua vez levaram a muitos progressos na área dos direitos do trabalhador.

Note-se que, em todos estes casos, foi possivel lutar contra a crise dentro de quadros democráticos e politicamente co-operativos. Ao mesmo tempo, cresciam de popularidade movimentos de esquerda menos extremistas do que os bolcheviques- as Frentes Populares ganharam eleições tanto na França como na Espanha, concretizando uma série de medidas para o bem estar das classes operárias.

Nestes tempos, a única organização internacional que existia era a Sociedade das Nações, grupo maioritariamente incapaz de lidar com os conflictos que agora se desenvolviam. Isto comprovou-se no seu falhanço em deter as politicas expansionistas e imperalistas da Itália, da Alemanha e do Japão, as quais agore se reuniam, atravês de acordos e tratados, num “Eixo Imperialista” dos regimes totalitários.

No entanto, apesar desta ameaça os regimes liberais encontravam-se ainda esperançosos de evitar uma nova guerra. Note-se os Acordos De Munique, em que a Grã-Bretanha e a França aprovaram a ocupação dos Sudetas por parte de forças Alemãs, esperando assim saciar o apetite conquistador de Hitler.

Não funcionou- o imperalismo Alemão e Italiano continuava a resultar na conquista de mais e mais países por parte das forças fascistas. Finalmente, a Grã-Bretanha e a França decidiram mudar a sua política externa, oferecendo auxilio aos países ameaçados pelos poderes do Eixo; tentaram também obter o auxilio da União Soviética, mas esta tinha já assinado um tratado de não-agressão com a Alemanha. Mussolini ainda tentou fazer com que Hitler organizasse uma nova conferência de Munique, mas em vão-a 3 de Setembro de 1939, a Grã-Bretanha e a França declararam guerra à Alemanha.

  posted by Daniel @ 2:49 PM


Sunday, April 20, 2003  

 
send mail, bitch!

  posted by Daniel @ 4:29 PM


Saturday, April 19, 2003  

 


  posted by Daniel @ 3:14 PM


Wednesday, March 19, 2003  

 


  posted by Daniel @ 3:26 PM


Saturday, January 18, 2003  

 


  posted by Daniel @ 3:25 PM



 


  posted by Daniel @ 3:25 PM



 
No fim do século XVIII, iniciou-se na Inglaterra um movimento que, durante o século XIX, alastrou-se por toda a Europa e pelos Estados Unidos: estou a falar, é claro, da revolução indústrial.

Antes de mais nada, é precido dizer que a revolução indústrial foi provocada em parte por outra inovação do tempo: a revolução dos transportes. Tanto ao nível terreste como ao nível maritimo, surgiram meios de transporte cada vez mais eficientes e rápidos, o que facilitava imensamente o comércio entre países. Talvez a mais importante de todas essas inovações foi o alastramento dos caminhos de ferro, que facilitou de modo radical o transporte tanto de bens como de pessoas, contribuindo assim para uma abertura do mundo não só ao nível económico como tambêm ao nível cultural e social. E para além disso, tambêm os meios de comunicação começaram a ser mais rápidos devido ao telégrafo e (muito mais tarde) devido ao telefone.

Ao mesmo tempo, tambêm ocorrem grandes mudanças ao nível da agricultura: a crescente mecanização, o uso da adubagem, a especialização das culturas e a criação de pastos foram apenas alguns dos factores que contribuiram para a modernização da agricultura no tempo da revolução indústrial.

Finalmente, são de notar tambêm as inovações ao nível da ciencia, principalmente a descoberta do uso correcto de fontes de energia como o petróleo e a electricidade. De facto, a ciencia e a técnica encontram-se extremamente ligadas durante a revolução indústrial, visto que é a ciencia que faz as descobertas que são depois aplicadas a nivel práctico pela indústria, a qual por sua vez junta assim os fundos necessários para o desenvolvimento da ciencia.

É óbvio que todos estes progressos não podiam ser alcançados sem a existência de matérias primas, e é por isto que se desenvolve um comércio multi-lateral: todas as nações indústralizadas trocam entre si produtos indústriais, enquanto que certas matérias primas (bem como alguns alimentos) são obtidos nas colónias. Este novo comércio fez com que a maioria das grandes potências envergassem por uma política livre-cambista, se bem que voltassem frequentemente ao proteccionismo em tempos de crise económica.

Os diferentes países da Europa desenvolveram-se a ritmos diferentes. Sem dúvida, a Inglaterra foi a "rainha" da revolução indústrial por um grande tempo, devido a vários factores, tais como a sua supremacia no dominio da energia a vapor, a liderança na produção de vários metais, a posse de uma gigantesca frota comercial e um sistema ferróviario bastante denso, o valor dos seus investimentos a nível internacional, o seu poderio monetário e financeiro e a extensão dos seus mercados indústriais na África. No entanto, ao fim do século XIX, esta hegemonia Inglesa começou a enfraquecer devido á concorrência de países como a Alemanha, a França e a Bélgica.

Para além das grandes mudanças globais que a revolução indústrial trouxe, há tambêm as mudanças mais prácticas, das quais é de destacar principalmente a substituição das velhas oficinas pelas novas fábricas, as quais se mostravam mais efectivas, devido ao seu tamanho e á sua atmosfera de rigidez. É de notar que estas fábricas eram empresas capitalistas, ou seja, aqueles que nelas trabalhavam não eram os mesmos que investiam os capitais. De ínicio, as fábricas eram a propriedade de individous, familias ou pequenos grupos de amigos. No entanto, este método mostrou ser demasiado arriscado a nível financeiro, uma vez que os donos tinham frequentemente que investir practicamente toda a sua fortuna. Deu-se assim a criação de sociedades anónimas, as quais permitiam uma maior mobilidade de capitais e menos risco no caso de um investimento falhar.

Com o passar do tempo, o mercado tornou-se mais e mais competitivo, visto que era preciso produzir muito material a baixos preços. Isto fez com que apenas as maiores fortunas conseguissem sobreviver, ou seja, incentivou a criação de monopólios, tanto verticais (nos quais uma companhia controla todas as fases da produção) como horizontais (nos quais uma companhia controla quase por inteiro uma fase da produção.) Foi nesta fase tambêm que se deu o triunfo dos bancos privados.

Como já vimos, a revolução indústrial é uma época de grande prosperidade e progresso, o que leva a uma verdadeira explosão demográfica, provocada pelo radical decréscimo da taxa de mortalidade (que se deve a melhores condições clínicas, higiénicas e alimentares.) Ao mesmo tempo, assistiu-se tambêm ao desenvolvimento dos meios urbanos, uma vez que a população do campo virava-se cada vez mais para a cidade, esperando ali uma melhor vida. Visto que certos países ainda não tinham estruturas suficientes para albregar tantas pessoas, e que noutros a mecanização fazia-las inúteis, ocorriam tambêm nestes tempos fortes fluxos emigratórios.

De facto, toda a sociedade do século XIX era diferente das velhas ordens do antigo regime, uma vez que se vivia agora numa sociedade de classes; já não era o direito de nascenca que ditava as regras do jogo, mas sim o dinheiro.

Foi neste tempo que se desenvolveu a alta burgesia, ricos comerciantes cujos poderes não se limitaram apenas á economia, mas tambêm possuiam grande influência no que diz respeito ás areas sociais (uma vez que eram os donos dos grandes jornais) e políticas (uma vez que se organizavam frequentemente em grupos de pressão.)

Pouco abaixo dessa, existiam as classes médias, designação que albrega uma grande variedade de pessoas e profissões. Estas interessavam-se principalmente pelos ideas da obediencia e da decência, tentanto assim emular a alta burgesia a qual, por sua vez, começava a imitar a velha nobreza, se bem que existia tambêm um certo "orgulho de classe" demonstrado pelo mito do self-made-man.

Abaixo disto tudo, existiam as classes trabalhadoras: envolvidas pela sujidade e pela pobreza, as pessoas que pertenciam a esta camada social sofriam sob condições desumanas, tanto nas suas habitações como nos seus locais de trabalho. De facto, tal era a tortura imposta sobre essas classes que daí começou a se desenvolver as doutrinas do socialismo utópico (movimento pacífico e um tanto ingénou) e posteriormente do Marxismo, que pretendia alcançar uma "dictatura do proletariado" atravês da luta de classes.

De facto, foi esta corrente ideológica que marcou as primeiras tentativas de progresso social por parte das classes trabalhadoras, nomeadamente as greves e os sindicatos, mas tambêm a ciração de partidos políticos. Nascera o movimento operário.

Em Portugal, a industralização foi dificil e demorou bastante tempo. O primeoro sinal de progresso foi sem dúvida a revolução de 1820, que permitiu uma evolução económica em Portugal, sendo de destacar a criação do banco de Lisboa, a introdução da máquina de vapor, a fundação da sociedade promotora da indústria nacional e a extinção da casa dos vinte e quatro e das corporações. Com a chegada do movimento Setembrista, adoptou-se uma política proteccionista que serviu de arranque para a revolução indústrial em Portugal mas que se mostrou ultimamente ineficaz.

Em 1851, após um golpe de estado, inicia-se a regeneração, movimento de reforma politica de cariz principalmente prágmatico no que diz respeito á economia.


  posted by Daniel @ 2:07 PM


Thursday, January 16, 2003  

 


  posted by Daniel @ 3:43 PM


Sunday, November 17, 2002  

 


  posted by Daniel @ 3:30 PM



 
Daniel @ 3:28 PM



 
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  posted by Daniel @ 3:16 PM



 
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  posted by Daniel @ 3:15 PM


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